Bateria de cimento inspirada na Roma Antiga pode revolucionar o armazenamento de energia

Bateria pode absorver calor de reações químicas
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(Imagem: Cache Energy/Reprodução)

Uma tecnologia inspirada em uma descoberta da Roma Antiga pode ganhar um novo papel na transição energética global. Pesquisadores e engenheiros estão transformando princípios do concreto romano em um sistema moderno capaz de armazenar energia na forma de calor – uma alternativa que pode reduzir a dependência de combustíveis fósseis, como o gás natural.

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A proposta é relevante: cerca de 30% da energia consumida no mundo é destinada à geração de calor, seja para processos industriais ou para aquecimento de ambientes e água.

O conceito parte de uma reação química simples e conhecida há séculos. Ao misturar óxido de cálcio (cal viva) com água, forma-se hidróxido de cálcio, processo que libera uma grande quantidade de calor.

O diferencial está no fato de essa reação ser reversível. Ao aquecer o material, é possível remover a água e retornar à forma original, permitindo que o ciclo seja repetido diversas vezes. Na prática, isso transforma o sistema em uma espécie de bateria térmica recarregável.

Embora a ideia exista desde a década de 1970, ela só começa a ganhar viabilidade agora, com a queda no custo das energias renováveis e avanços no desenvolvimento de materiais.

Uma das empresas que tentam levar a tecnologia ao mercado é a americana Cache Energy. A startup desenvolveu uma solução baseada em pequenos grânulos de cimento, com dimensões semelhantes a um grão de milho.

Essas partículas recebem um agente aglutinante que mantém sua estrutura durante os ciclos de carga e descarga. Quando aquecidos com eletricidade (preferencialmente de fontes renováveis), os grânulos armazenam energia. Ao entrar em contato com água, liberam calor novamente, podendo atingir temperaturas próximas de 540 °C.

O sistema funciona dentro de um reator compacto, capaz de gerar cerca de 100 quilowatts de calor, com versões maiores que chegam à escala de megawatts. Os grânulos podem ser armazenados em silos, o que simplifica a logística e reduz a necessidade de infraestrutura complexa.

Adição de água aos grânulos (Imagem: Cache Energy/Reprodução)

Aplicações industriais e domésticas

O foco inicial da tecnologia é o uso industrial, especialmente em processos que demandam calor constante. No entanto, há planos de adaptação para uso residencial.

Nesse cenário, a bateria térmica poderia ser instalada ao lado de sistemas de aquecimento, armazenando energia quando a eletricidade estiver barata – por exemplo, em períodos de alta geração solar ou eólica – e liberando calor posteriormente, reduzindo o uso de gás.

A tecnologia já começa a ser testada em ambientes reais. Uma fábrica da Whirlpool, nos Estados Unidos, avaliou o sistema e relatou desempenho acima do esperado.

O Departamento de Defesa dos EUA também estuda o uso da solução para aquecer instalações em situações de emergência ou falhas na rede elétrica. Já universidades e empresas na Europa e na Ásia demonstram interesse, principalmente em resposta à volatilidade dos preços do gás natural.

Na Universidade de Minnesota Morris, por exemplo, pesquisadores analisam a possibilidade de usar o sistema para aquecer um campus inteiro com energia gerada por turbinas eólicas locais.

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Tecnologia foi inspirada na Roma Antiga (Imagem: Andrii Marushchynets / Shutterstock.com)

Desafios e concorrência

Apesar do potencial, especialistas apontam desafios técnicos. Um dos principais é encontrar a composição ideal dos materiais para garantir eficiência energética e durabilidade ao longo de múltiplos ciclos.

Além disso, a tecnologia enfrenta concorrência de outras soluções de armazenamento térmico, que utilizam diferentes materiais e abordagens. Ainda não está claro qual modelo se tornará dominante em cada aplicação.

A proposta ganha força em regiões com grande produção de energia renovável. Em alguns locais, há períodos em que a geração excede a demanda, fazendo com que a eletricidade tenha custo muito baixo – ou até negativo. Nesse contexto, sistemas de armazenamento, como a bateria de cimento, podem aproveitar esse excedente e convertê-lo em calor utilizável posteriormente.

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Para especialistas, a combinação entre geração renovável e armazenamento térmico pode abrir caminho para maior independência energética, tanto em escala local quanto regional.

Com informações de The Wall Street Journal.

Vitoria Lopes Gomez
Vitoria Lopes Gomez

Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e redatora do Olhar Digital.

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